Preciso brincar com meu filho?

Pra todos verem: Pai, mãe e dois filhos jogam um jogo de tabuleiro

Algumas vezes mães e pais me perguntam se precisam brincar com os filhos. Preocupam-se com o desenvolvimento dos filhos, mas também estão imersos nossa sua próprios interesses e responsabilidades, com pouco tempo disponível. Querem saber se é importante para as crianças ter momentos de brincadeiras com os pais.

É uma preocupação interessante, já que envolve um questionamento, uma dúvida. E ter dúvidas é bom, é o que nos faz pensar, refletir, sair da acomodação de uma suposta certeza de saber tudo.E, como para a maioria das perguntas que se faz a um psicólogo, a resposta não vem pronta, mas precisa ser construída a partir da singularidade daquelas pessoas, daquela família.

O que e se pode dizer é: é importante viver com as crianças. Elas têm uma qualidade lúdica no seu modo de viver, a ponto de ser difícil, muitas vezes, perceber onde começa e onde acaba a brincadeira. Em resumo, dá pra dizer que a criança, a rigor, não brinca, mas vive brincando.

O mundo deles é uma composição maravilhosa, colorida de tons de realidade compartilhada e fantasia. Ser convidado para entrar nesse mundo é uma honra!

Muitas vezes, ao querer uma aproximação com a criança, tentamos estar por perto na brincadeira, mas com o pensamento distante, nos temas excessivamente adultos, nos distraímos. Às vezes os pais estão presentes, mas com a atenção dividida, olhando o celular, por exemplo, e a qualidade do contato se empobrece muito. Também pode acontecer de a criança propor brincadeiras que não são divertidas para os pais, que tentam se envolver, mas não se divertem de fato. E, acredite: as crianças são muito sagazes em perceber quando estamos de fato brincando ou fingindo. Nesse caso, podemos tentar despertar a criança que fomos um dia.

O que suas memórias de infância podem oferecer? Com certeza seus filhos vão se interessar em saber do que você gostava de brincar e pode ser muito especial viver isso juntos.

A falta de tempo é um obstáculo que podemos vencer com alguma criatividade. Envolver as crianças nas atividades rotineiras  pode ser uma ideia. Cozinhar junto, brincar com pregadores enquanto lavamos roupa…

É interessante elaborar, junto com as crianças, atividades  para todos. Vale mais a pena tornar divertido um momento do cotidiano do que forçar uma brincadeira em horas de mau humor.

 O mais importante é lembrar que brincadeira é conexão, é construção conjunta. Seja um momento fugaz na hora de escovar os dentes ou um jogo de horas de duração, o que importa é se permitir adentrar no universo  inventado pela criança e criar junto. Dar chance para a espontaneidade tomar seu lugar. É compartilhar esse espaço que não é só da criança, nem só seu, mas comum. É aí que a magia acontece.

*Elisa Motta Iungano, mãe, psicóloga e psicanalista

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